A Origem do Nome Exu e Seus Significados Ocultos

A Origem do Nome Exu e Seus Significados Ocultos

Esu, Eshu, Echu ou Exu é o nome pelo qual denominamos uma das divindades mais importantes do culto afrobrasileiro. Exu é dono de muitas funções no Céu. Agente direto de Deus, ele é o guardião entre os mundos e o protetor da ordem social. É Exu quem faz cumprir as leis cósmicas e universais, às quais chamamos de Leis Divinas.

Neste artigo, vamos abordar a origem do nome Exu na história recente e suas possíveis relações na história do mundo antigo. Veremos que, nem sempre, as traduções correntes e os significados comtenporâneos são o que parecem ser.

Sumário
  1. A Tradução Corrente
  2. A Origem do Erro
  3. O Significado Original
  4. A Etimologia da Palavra
  5. O Significado Oculto
  6. O Senhor Fogo Gerador
  7. O Primeiro a Ser Gerado
  8. O Agente Cósmico de Deus
  9. O Senhor do Tríplice Caminho
  10. O Espírito Guardião do Portal
  11. A Fórmula Cabalística
  12. A Arqueometria do Nome Exu
  13. Conclusão

A Tradução Corrente

No Brasil, aprendemos que o nome Exu é uma palavra de origem iorubá que se significa esfera. Mas isso não é verdade. Muitas paravras usadas no vocabulário dos terreiros possuem traduções errôneas ou imprecisas. Elas são utilizadas constantemente para preencher a lacuna de uma memória que se perdeu no tempo, dando-lhes uma ressignificação.

Mas é um ressignificado que parte de uma interpretação recente e descolada dos significado original, que foi perdido. Com Exu é assim. Nós traduzimos Exu como esfera, aludindo a algo sem começo nem fim ou sem lados difinidos. Mas, segundo os dicionários português-iorubá, a tradução de esfera é rogodo, de círculo é iyika, de circunferência é iyipo. Ou seja, nada a ver com Exu

Se você souber outras palavras em iorubá para esfera por favor nos diga, isso irá contribuir com a nossa pesquisa e daremos o devido crédito. Mas, até onde pudemos aferir, não há nenhuma palavra iorubá para esfera ou correlato que se pareça com a palavra esu.

A Origem do Erro

Não encontramos nenhuma paravra em iorubá que se parece com Esu por um motivo simples: Esu não é uma palavra iorubá! Mas, para compreender isso, é preciso aceitar de antemão que uma cultura, uma religião ou tradição espiritual não existe por si só, mas é uma construção histórica que passa por diversos atravessamentos.

Outra coisa: é preciso compreender que a etnia iorubá é uma criação recente dos ingleses, do século 19 para cá, como já apontava Pierre Verger em sua obra Os Orixás. Antes disso não havia iorubá, ninguém era chamado assim. Por isso, Esu não é uma palavra originalmente iorubá, mas que foi adaptada de línguas mais antigas, cujos povos foram aculturados para dentro da cultura iorubá. Foi o que aconteceu com o povo Nagô-Igala.

Os Igala são um povo nigeriano classificados na antropologia inglesa como um sub-grupo étnico iorubá e a língua igala como uma língua iorubóide. Mas as autoridades tradicionais defendem firmemente que igala não é um grupo iorubá e que possui a sua própria língua, costumes e tradiões.

Embora compartilhem muito da cultura com os iorubás, a história igala é mais antiga, está registrada pelo Palácio Real do Attah Igala e pode ser contada até, aproximadamente, 3500 anos a.C.. Tudo isso pode ser verificado e atestado pelo trabalho do embaixador do Attah Igala, professor e historiador Dr. Ayegba Abdullahi (leia Scientific Approach to Igala History; Attah, King of Igala Kingdom of Nigeria: The Replica of Ancient Egyptian Pharaohs; Anu of Igala Kingdm of Nigeria and King Anu of Ancient Egypt).

O Significado Original

É na cultura Igala que nós encontramos a possível origem da palavra Exu. Para o povo Igala, a divindade correspondente a Esu se chama Eju, que significa olho (oju, em iorubá), pois ele é o Olho de Deus (Eju Ojo Odumare – o Olho do Deus Criador). Ele é a divindade que olha por nós e protege a integridade da nossa vida, da nossa casa e do nosso destino (leia Nomes de Alguns Deuses e Deusas Igala e Seus Papéis, do Dr. Ayegba Abdullahi).

Segundo a Tradição, nós acreditamos que Ojo Eju (o Deus Exu) é o olho esquerdo de Ojo Odumare (o Deus Criador), representado por Oshu (a Lua); enquanto Ojo Ochamachalá (o Deus Oxalá, no Brasil) é o lado direito, representado por Orun (o Sol).

Como podem ver, o nome Eju apenas sofreu uma pequena modificação na pronúncia para Esu, Eshu, Echu ou, como nós escrevemos aqui no Brasil, Exu. Mas seus fundamentos permanecem como era na origem – o Egito Antigo, fonte da antiga sabedoria iniciática.

A Etimologia da Palavra

A palavra igala Eju, que significa olho, tem a sua origem etimológica na antiga língua egípcia. Eju vem de Ejó (escrito Wadjet em língua romanizada e chamada de Buto pelos gregos), que também significa olho. No Egito, Ejó (o olho) era um símbolo poderoso de proteção e boa sorte, podendo proporcionar prosperidade e sabedoria para o seu portador.

Wadjet (à direita) e Nekhbet (à esquerda) representando a coroa do Alto e Baixo Egito como símbolo de proteção da realeza

Ejó também era identificada com a serpente, que é um símbolo de proteção e sabedoria. Embora fosse um símboloo fálico, era retratada como uma deusa feminina, pois estava relacionada ao poder lunar e ao ciclos naturais (Exu era primordialmente uma divindade agrária, ligado à Terra, aos ciclos da Lua, das estações do ano, e dos ciclos de chuva e estiagem). E era associada a uma divindade oracular chamada Par, tal como Exu está associado ao Ifá ou Fá (ou, como escreveríamos anteriormente em português Iphá/Phá – a divindade do Verbo), pois ela é o Olho Que Tudo Vê.

Este símbolo ficou popularmente conhecido como o Olho de Hórus. Hórus era um antigo deus do céu cujos olhos eram Rá (o Sol) e Oshu (a Lua). De acordo com a Tradição Antiga, o olho direito era representado pelo Sol e por isso é chamado de Olho de Rá, enquanto o esquerdo era representado pela Lua e era conhecido como o Olho de Hórus, embora também fosse associado a Thoth.

Thoth também era uma das divindades associadas com Ejó. Ele também era retratado como o Olho de Deus, pois era o guardião do destino dos seres, o escriba do Criador e de suas sentenças, servindo como um fiscal da ordem espiritual. Thoth não era somente o Deus da Escrita, mas também da Sabedoria Divina e Testemunha do Destino dos seres, muito semelhante ao Orunmilá. O antigo Thoth é o nosso Orunmilá do presente, que também é intimamente associado com Exu.

O Significado Oculto

Como podem ver, nós podemos traçar a origem direta do culto a Exu até o Antigo Egito, origem ancestral do povo Igala. Também podemos demonstrar as relações e semelhanças ritualísticas e etimológicas com culto Nagô-Igala afrobrasileiro. 

A origem da palavra e do culto a Exu está relacionada à língua e à cultura do povo Igala. Mas qual é a origem de Exu entre os iorubás? A verdade está aí para que todos possam ver. Dito isso, vamos às interpretações do significado oculto e esotérico a respeito do termo.

A palavra Exu pode ter relações com línguas e culturas muito mais antigas que a egípcia. Uma história perdida no tempo, da qual podemos encontrar fragmentos através de algo que podemos chamar de Arqueometria, Ciência do Verbo, Coroa da Palavra ou Cabalismo Fonético (ver O Arqueômetro, de Saint Yvs D’Alveydre).

Essa arqueometria contém “as chaves de todas as religiões e ciências da Antiguidade”, propondo uma linguagem universal que afere as relações entre letras, sons, cores, formas e princípios espirituais ou divinos. Portanto, a arqueometria é uma ciência esotérica que estuda a síntese da existência através da potência do Verbo – o Logos Divino.

A arqueometria é, portanto, uma sabedoria ligada a uma linguagem universal que encontra seus pontos de inflexão em antigas linguas mortas. À partir daí, podemos estabelecer certos paralelos que atruibuem significados ocultos sobre uma determinada força ou potência espiritual.

O Senhor Fogo Gerador

Supõem-se que palavra Exu, em princípio, era pronunciada Exud, um termo que guardou suas raízes no aramaico, no hebraico e no egípcio antigo. Então, vamos decompor essa palavra, segundo essa “etimologia cabalística”, para encontrar outros significados que não estão revelados. Ao contrário, são velados, esotéricos, ocultos e se ligam diretamente à essa Coroa do Verbo.

Exu está ligado foneticamente ao termo Ash, que se traduz como um fogo devorador que se coloca entre o pronome divino EHEIEH (Eu sou) e representa a Vida Absoluta. Dessa adição surge o casal Aish e Aisha, que significam a própria Vida ou O Que Está Cheio de Vida. Ash tem o sentido visual e sonoro de poder e movimento, em referência ao Fogo Interior ou ao Fogo Anterior à Existência – àquilo que é uno e inalterado

A raiz AD ou OD traz o sentido de poder e divisibilidade, indicando aquilo que foi extraídio, uma emanação que se projeta para fora. Daleth (a letra D) é a porta para o mundo material, corresponde ao número 4, ao elemento terra e ao Arcano do Imperador – aquele que exerce poder e domínio sobre a concretização material.

Exud, portanto, sintetiza aquilo que define e atrai os gêneros para a unidade. Mas, ao mesmo tempo, é aquilo que os diferencia. Em outra medida, é o princípio do rompimento com a ordem espiritual unificada que dá início à individuação dos seres.

O Primeiro a Ser Gerado

Exud adquire um significado tardio no latim com a raiz do verbo Exudare, que significa mover para fora, sair. Vamos decompor a palavra e o seu significado:

Exo = Aquilo que está fora, que é externo;
Od = Extrair, tirar, movimentar ou mover.

É daí que vem a palavra Êxodo (em português), Exodus (em latim) e Exodos (em grego). Elas significam, literalmente, sair, partir, migrar, mover para fora. É um significado que reforça a interpretação anterior de um poder que se manifesta fora da unidade coletiva, ou se projeta para fora de um estado inicial de pureza relativa.

É muito interessante como isso ressoa perfeitamente com o mito da criação de Heliópolis, a Cidade do Sol, no Egito Antigo. Neste mito, Atom-Ra (o Deus-Sol Criador, o Senhor da Luz Divina) masturbou-se e, tendo um orgasmo, gemeu. Sendo a sua palavra absoluta, criou o Céu e a Terra, e tudo o que existe entre esses dois mundos.

“Eu criei todas as formas com o que saiu da minha boca, quando não havia nem
céu, nem terra”

(Texto do papiro de Nesiansu)

Quando Atom-Ra ejaculou a primeira palavra que disse foi Shu, o Deus da Vida, o som do orgasmo divino e gerador de todas as outras coisas. E, depois, gerou Tefnut, a Deusa da Ordem.

“Tomando seu falo em seu punho e ejaculando para gerar os gêmeos Chu e Tefnut”

(Texto das pirâmides, declaração 527)

E Atem disse: – Eis minha filha Tefnut, a chama vivente, que dividirá o leito com
seu irmão Chu. A ele eu chamei vida, ela se chama ordem. Vida e ordem repousam juntos”

(Texto dos sarcófagos)

Portanto, Exu também é um som que traduz o movimento pulsante para fora, indicativo do poder da ejaculação, da fecundação e da geração. Não à toa é um deus fálico e ligado à fertilidade. Muitos de seus rituais representam o ato de inseminar (jorrar sêmen) a Terra. Isso também explica o porquê Exu é uma divindade agrária.

O Agente Cósmico de Deus

Como vimos, o vocábulo Shu é predominantemente importante na análise semiológica do nome Exu. Isso está diretamente ligado aos significados da letra Shin também, que tem esse som chiado de quando vocalizamos Exu.

O Shin é a letra do Fogo Divino e do Espírito da Vida (Ash). É a Chama-Trina que anima a Vontade do Espírito de Deus. Se o Tetragrammaton representa o nome divino (IHVH – Yeva, Jeová), a adição do Shin representa sua descida para o o Reino da Vida (IHShVH – Yeshva, Jesus). Essa é a chave cabalística que amarra as tradições dentro de um princípio comum que é, antes de tudo, espiritual e está além das convenções religiosas.

O Shin é o que anima o nome de Deus, que é estático e absoluto. Assim como, é Exu quem dá vida à vontade de Olodumare – o Deus Criador. Sem Exu (o movimento, o fogo gerador) Deus seria estático. Ao adicionar o Shin ao nome de deus, ele se torna o Pentagrammaton, o próprio Verbo Divino, Deus feito carne e sua vontade em ato.

Curiosamente, estudando com um rabino cabalista, eu ouvi dele a pronúncia de Yeshua, e se pronuncia Yshu. Isso pode chocar os puritanos cristãos e umbandistas, mas Jesus (sincretizado com Oxalá, no Brasil) guarda semelhanças muito mais profundas na sua função arquetípica com Exu. Ambos são o Verbo, o Mensageiro, o Intermediário entre criador e criatura, entre o absoluto e o relativo. Ambos são o grande Agente de Deus no mundo.

O Senhor do Tríplice Caminho

Coincidentemente (ou não), o Shin guarda uma assinatura morfológica ligada diretamente ao trabalho de Exu. Ele é formado por três colunas que se erguem de uma base comum. Na cabala, representa os três pilares da Árvore da Vida (Misericórdia, Rigor e Equilíbrio) unificados em um só fundamento. Também representa os três Princípios da Existência (Criação, Manutenção e Transformação) ou os três Axés (branco, vermelho e preto).

EVOLUÇÃO DA LETRA SHIN

(Assinatura Morfológica)

Hebraico moderno
(quadrado)
Hebraico antigo
(proto-sinaítico)
Alfabeto adâmico
(ou wattan)

Isso responde muita coisa, principalmente, como Exu se relaciona com essa doutrina de manifestação do ternário e suas singularidades. Mostra, sobretudo, o caráter ambivalente de Exu e suas manifestações. Pois, o mesmo Exu pode ser bom (misericordioso), pode ser justo (equilibrado) e pode ser mau (rigoroso); pode criar, manter e destruir; e pode vestir-se branco, preto ou vermelho.

Essas características se aplicam ao Exu Orixá, mas também se aplicam aos Exu Catiços que, de certo modo, dividem muitos atributos com o Orixá. No casos dos catiços, vemos três tipos de manifestações bem definidas entre eles. Ou eles vêm alegres, bricalhões e sedutores; ou eles vêm sérios, bravos e rigorosos; ou eles vêm quietos, reticentes e silenciosos. Branco, preto e vermelho.

No caso de Exu, isso também tem a ver com a função da kundalini (o Fogo Serpentino) e suas três nadis – Idá, Pingalá e Sushumná. Na tradição tântrica, à medida que a kundalini sobre, ela gera um calor interno que queima as impurezas armazenadas no chakras. É um fogo alquímico que ilumina a mente e transmuta a consciência para a boa realização.

Com isso, vemos que o tridente não é só uma arma, um símbolo ou ferramenta de Exu. É Lei de Pemba. Ele é a própria escrita da letra Shin, indicando que Exu é a manifestação do Fogo Tríplice no mundo material.

O Espírito Guardião do Portal

Se Exu está relacionado à letra Shin, o fogo puro, volátil, no sentido espiritual do ser, ao adicionarmos Daleth (a letra D) isso cria outros contornos para além do Êxodo. Pois, a palavra Daleth significa porta, no sentido de ser a passagem para o mundo material. Para “migrar” ou “sair para fora” (exud) é preciso atravessar essa passagem entre um estado e outro.

Então, se Shin é o fogo e Daleth é a porta, Exud pode ser interpretado como o Fogo da Porta, o Fogo Guardião da Porta ou o Espírito Ancorado na Passagem. Na tradição afro-brasileira, ele é chamado de Onibode Orun – O Porteiro Celestial.

Isso mostra como as considerações esotéricas e cabalísticas estão alinhadas com os atributos populares de Exu, como um Agente de Deus e Guardião Entre os Mundos. E, também, se conecta perfeitamente como o significado de que Exud é “aquele que migrou, o povo que saiu”.

Esse primeiro ser que saiu, abrindo a porta para o mundo material (Daleth), é também que ficou responsável por guardar essa porta empunhando o poder do fogo espiritual (Shin, o tridente). Exud é a fórmula cabalística que descreve a função dele: a Porta de Fogo, a passagem para os outros mundos.

A Fórmula Cabalística

Se dissecarmos a palavra Exud usando as correspondências arqueométricas, morfológicas e cabalísticas, teremos a seguinte interpretação possível:

  • E (He): O Sopro, o princípio aéreo, a vida;
  • X (Shin): O Fogo, o movimento, a encruzilhada. O “X” é o símbolo do desconhecido e do cruzamento de forças;
  • U (Vav): O Gancho, a conexão, o que conecta o céu e a terra.
  • D (Daleth): A Porta, a materialização.

Exud seria, então, O Princípio (E) que através do Fogo/Movimento (X) se Conecta (U) à Porta da Matéria (D). Isso justifica a função de Exu como Guardião da Passagem e Executor na matéria, reforçando o seu papel como um Agente Divino no mundo.

A Arqueometria do Nome Exu

Vamos encontrar um sentido esotérico muito profundo para o nome Exu na Arqueometria, de Saint Yves D’Alveydre. Para contextualizar: o Arqueômetro é um instrumento formado por três círculos concêntricos que se dividem em doze casas, ou seja, um dodecagrama, dois hexagramas ou quatro triângulos sobrepostos.

As casas 1, 5 e 9 são ígneas e correspondem ao elemento Fogo. As casas 2, 6 e 10 correspondem ao elemento Terra. As casas 3, 7 e 11 formam o triângulo do Ar. As casas 4, 8 e 12 formam o triângulo da Água. Os triângulos da Terra e da Água cortam-se formando um Hexagrama ou a Estrela de Salomão. A mesma coisa acontece com os triângulos do Fogo e do Ar.

É esse instrumento que afere todo o léxico sagrado e profano, segundo a logica cabalística. É composto de doze letras involutivas, sete letras evolutivas e três letra arquetipais. Elas são as expressões do
mundo concreto (material), do mundo abstrato (astral) e do mundo espiritual, respectivamente.

As doze letras evolutivas ou zodiacais são:
E – V – Z – H – T – Y – L – M – O – Ph – K – R

A sete letras involutivas ou planetárias são:
Sh – D – G – C – B – N – Ts

As três letras arquetipais são:
A – S – Th

O que nos interessa mais diretamente é o chamado Triângulo da Terra ou Triângulo do Verbo, que pode ser expresso pelo vocábulo IPhO (ou Ifá – a Palavra). Mas, podemos observar que todas essas letras são evolutivas. Ao aplicarmos um método cabalístico chamado Temurah (permutação), podemos trocar algumas letras evolutivas por suas respectivas letras involutivas. No caso, se substituirmos o Ph (Capricórnio) pelo Sh (Saturno, o planeta de Capricórnio), então teríamos IShO (ou Exu – o Verbo Encarnado).

Essa é uma chave muito interessante que mostra a relação direta e cabalística entre Ifá e Exu, a Palavra de Deus e sua Vontade em Ação. Mas, vamos nos aprofundar ainda mais no significado de cada uma das letras.

I, Y, J (Yod): É a letra do Verbo. Corresponde à Sabedoria de Deus. Significa a “Manifestação da Potência Divina”, a “Afirmação Divina”, a “Ação de Deus por meio do seu Verbo”, “Oração/adoração”. Seu número é o 10, signo de Virgem, planeta Mercúrio, arcano da Roda da Fortuna.

P, Ph (Pe): A Boca. Correponde à Vontade de Deus ou à Potência de Deus (em ação através do seu Verbo). Significa a “Potência que Reina/Governa”, a “Manifestação do Verbo por meio de seus equivalentes”, o “Indivisível”. Seu número é o 80, signo de Capricórnio, planeta Saturno, arcano da Estrela.

V, U, O (Vau): A Conexão. Corresponde à Criação Divina. Significa a “Sensibilidade Divina”, a “Causa de toda sensibilidade”, “Potência Criativa”. Seu número é o 6, signo de Touro, planeta Vênus, arcano dos Amantes.

Sh, X (Shin): O Fogo. Corresponde à Potência Régia (do Filho – o Verbo Encarnado). Significa o “Ser Existente”, a “Potência que outorga/concorda”, o “Paraíso”. Essa letra é a planetária da Ph (Pe) zodiacal. Seu número é o 300, signos de Capricórnio e Aquário, planeta Saturno, arcano do Louco.

Portanto, teremos a seguinte tradução:

IPhO (Ifá): o Verbo Divino, o Deus-Verbo, a Potência do Verbo, a Palavra de Deus. É sinônimo de oráculo, vaticínio, divinação, profecias. É através dele que ouvimos a vontade de Deus, qualquer Deus.

IShO (Exu): o Deus feito Homem, o Homem-Deus, o Verbo Encarnado, a Ação Criativa da Palavra. É sinônimo de Agente Mágico, Governante Divino, Intermediário Entre Mundos. Ele é a manifestação da Vontade de Deus (a sua Palavra) em ação.

Conclusão

Veja portanto que o nome Exu possui várias camadas de interpretação, que vão se densificando conforme vão sendo reveladas. Mas, acima de tudo, elas compõem um conjunto de significados que não se anulam, ao contrário, se complementam.

Exu não significa exatamente esfera, mas ainda assim faz algum sentido com esse conjunto, se considerarmos como algo em expansão criativa ou sem lados definidos (dizem os orikis: Exu joga nos dois lados sem constrangimento). Isso mostra o poder de adaptação e ressignificação de um mesmo conceito através de símbolos diferentes. E também torna válida essa interpretação para explicar o “fundamento”.

Mas conforme vamos desdobramos as camadas históricas, cabalísticas e esotéricas, vamos encontrando uma gama de significados muito peculiares que embasam uma explicação mais refinada e coloca em contexto relações que são universais com a espiritualidade. Uma delas é o oráculo (IPhO – Fá, Ifá, Fo-Hi, Fano, Psephoi, etc.), outra é a providência (IShO – Ejó, Eju, Exu, Echu, Eshu, Shoui, Shiva, etc.).

Exu é o Senhor da Providência. Ele é o representante direto de Deus, porque é a própria manifestação intermediária desse mesmo Deus. Por isso, Exu é uma divindade que fala por todos e para todos (Enugbarijó). É o senhor da Força e do Poder (Elergbara, Elegba, Legba). O Porteiro do Mundo Espiritual (Onibode Orun). O Primeiro a Ser Criado (Agba). A Matéria Primordial (Yangi).

Todas as qualidades de Exu podem ser explicadas profundamente por meio do esoterismo e isso expandir a nossa capacidade de análise e de ritualísticas com Exu. Para aprofundar nesses ensinamentos, considere entrar no nosso grupo de estudos clicando aqui.

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