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title: "Minha Mãe Ancestral"
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excerpt: "Por Me. Obashanan “Ìyá kéré gbo ìyámi o Pequeninas mães, ó idosas mães Ìyá kéré gbohùn mi Pequeninas mães, ouçam minha voz Ìyá kéré gbo ìyámi o Pequeninas mães, ó idosas mães Ìyá kéré gbohùn mi Pequeninas mães, ouçam minha..."
taxonomy_category:
  - "Mestre Obashanan"
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Minha Mãe Ancestral8 de abril de 2012 por [Akoh'Medu Ogushe](https://aralotum.blog/author/jprodrigues07/)

[https://aralotum.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/04/yia-mi.jpg](https://aralotum.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/04/yia-mi.jpg)
Fonte: Google Imagens###### Por Me. Obashanan

*“Ìyá kéré gbo ìyámi o*  
 Pequeninas mães, ó idosas mães  
 *Ìyá kéré gbohùn mi*  
 Pequeninas mães, ouçam minha voz  
 *Ìyá kéré gbo ìyámi o*  
 Pequeninas mães, ó idosas mães  
 *Ìyá kéré gbohùn mi*  
 Pequeninas mães, ouçam minha voz  
 *Gbogbo Eléye mo Ìgbàtí*  
 Todas as senhoras dos pássaros quando eu  
 *Ìgbàmú ile*  
 Cumprimo a terra  
 *Ìyá kéré gbohùn mi*  
 Pequeninas mães, ouçam minha voz  
 *Gbogbo Eléye mo Ìgbàtí*  
 Todas as senhoras dos pássaros da noite  
 *Ìgbàmú ile*  
 Todas as vezes que comprimo a terra  
 *Ìyá kéré gbohùn mi*  
 Pequeninas mães, ouçam minha voz”  
 (Cântico a Iyá-Mi)

Iyá-Mi Osorongá é a síntese do poder feminino, claramente manifestado na possibilidade de gerar filhos e, numa noção mais ampla, de povoar o mundo. Quando os Iorubas dizem “nossas mães queridas” para se referirem às Iyá Mi, tentam, na verdade, apaziguar os poderes terríveis dessa entidade.

Donas de um axé tão poderoso como o de qualquer Orixá, as Iyá-Mi tiveram o seu culto difundido por sociedades secretas de mulheres e são as grandes homenageadas do famoso festival *Gèlèdè*, na Nigéria, realizado entre os meses de Março e Maio, que antecedem o início das chuvas do país, remetendo imediatamente para um culto relacionado à fertilidade.

As Iyá-Mi tornaram-se conhecidas como as senhoras dos pássaros e a sua fama de grandes feiticeiras associou-as à escuridão da noite; por isso também são chamadas Eleyé, e as corujas são os seus principais símbolos.

A sua relação mais evidente é com o poder genital feminino, que é o aspecto que mais aproxima a mulher da natureza, ou seja, dos acontecimentos que fogem à explicação e ao controle humano. Toda a mulher é poderosa porque guarda um pouco da essência das Iyá-Mi; a capacidade de gerar filhos, expressa nos órgãos genitais femininos, assustou sempre os homens.

As mães são compreendidas como a origem da humanidade e o seu grande poder reside na decisão que tomar sobre a vida de seus filhos. É a mãe que decide se o filho deve ou não nascer e, quando ele nascer, ainda decide se ele deve viver.

Iyá-Mi é a sacralização da figura materna, por isso o seu culto é envolvido por tantos tabus. O seu grande poder deve-se ao fato de guardar o segredo da criação. Tudo o que é redondo remete ao ventre e, por consequência, às Iyá-Mi. O poder das grandes mães é expresso entre os orixás por Oxum, Iemanjá e Nanã Buruku, mas o poder de Iyá-Mi é manifestado em toda a mulher, que, não por acaso, em quase todas as culturas, é considerada tabu.

As denominações de Iyá-Mi expressam as suas características terríveis e mais perigosas e por essa razão os seus nomes nunca devem ser pronunciados; mas quando se disser um dos seus nomes, todos devem fazer reverencias especiais para aplacar a ira das Grandes Mães e, principalmente, para afugentar a morte.

As feiticeiras mais temidas entre os Iorubas e no Candomblé são as Àjé e, para se referir a elas sem correr nenhum risco, diga apenas Eleyé, Dona do Pássaro.

O aspecto mais aterrador das Iyá-Mi e o seu principal nome, com o qual se tornou conhecida nos terreiros, é Osorongá, uma bruxa terrível que se transforma no pássaro do mesmo nome e rompe a escuridão da noite com o seu grito assustador.

As Iyá-Mi são as senhoras da vida, mas o corolário fundamental da vida é a morte. Quando devidamente cultuadas, manifestam-se apenas no seu aspecto benfazejo, são o grande ventre que povoa o mundo. Não podem, porém, ser esquecidas; nesse caso lançam todo o tipo de maldição e tornam-se senhoras da morte.

O lado bom de Iyá-Mi é expressado em divindades de grande fundamento, como Apaoká, a dona da jaqueira, a verdadeira mãe de Oxóssi. As Iyá-Mi, juntamente com Exu e os ancestrais, são evocadas nos ritos de Ipadé, um complexo ritual que, entre outras coisas, ratifica a grande realidade do poder feminino na hierarquia do Candomblé, denotando que as grandes mães é que detém os segredos do culto, pois um dia, quando deixarem a vida, integrarão o corpo das Iyá-Mi, que são, na verdade, as mulheres ancestrais.

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